sexta-feira, 19 de junho de 2009
Pensamento (+ 1) do dia 20/06/09
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Das cinzas, o retorno
Só pra avisar: estou de volta. E agora vou começar a publicar alguns contos. São meio longos, mas a quem tiver a paciência, a recompensa.
Aguardo vocês.
O Jailson
Ainda lembro-me da primeira vez em que vi Jailson. Mas admito que só o conheci numa situação completamente inusitada! Ele era um guri bem franzino e mirrado, que vestia apenas bermudas, e quase sempre andava com os pés descalços. Seu olhar era intimador, e tinha fama de poucos amigos. A meu ver, esse pouco se resumia a nada. Morávamos numa pequena vila, formada na época por famílias sorteadas num plano de habitação da prefeitura, e por esse motivo, éramos todos desconhecidos, vindo cada um de um lugar diferente para habitar aquela região. As ruas eram de terra avermelhada, uma espécie de barro que ao menor contato com a água torna-se um atoleiro devastador. As casas, no geral, eram todas iguais, e no contrato de ocupação o inquilino assumia a responsabilidade de não mexer na estrutura da casa por alguns meses, para que mantivesse o aspecto bucólico que possuía, creio. Então, para não alterar as fachadas, as donas de casa acabavam por ornamentar as frentes de suas casas com inúmeras variedades de plantas, em vasos ou no próprio chão. Como era tudo novo, não havia árvores, e admito que sentia inveja dos meus primos que adoravam contar o quanto é gostoso comer uma fruta recém retirada do pé. Em compensação, eu adorava contá-los o quanto era bom subir em telhados e ir à escola, poder ver televisão e ter muitos amigos diferentes, enquanto eles tinham apenas uns aos outros. À noite, costuma sair para a rua e, antes de cumprimentar alguém, observar de longe o que estavam por discutir ou brincar, e sempre já chegava a eles com o assunto em dia. Isso transmitia uma segurança que me fazia bem-vindo em todas as tribos, porém nunca pertencente a uma delas, em específico. Isso me fez observar se havia mais alguém entre os outros guris que dividissem tal sentimento. Havia apenas um, e era um forte suspeito.
Certo dia, pra ser mais específico, em numa sexta feira à noite, a turma estava totalmente animada. Eles descobriram que, na estrada, alguns quarteirões acima na nossa rua, havia um sítio, e neste muitos animais vivendo livres, sem jaulas. E surgiu a idéia de que todos cuidassem para acordar cedinho no sábado e juntássemo-nos na esquina com a estrada no fim da rua. Dito, cumprido. Sábado, pela manhã, sol, temperatura agradável, as nuvens tornavam o azul do céu mais leve que nos demais dias que presenciei. Sabia que algo diferente iria acontecer. Então, estávamos todos ali faceiros que só vendo, loucos para ver a vida animal acontecendo bem diante dos olhos. Uma das vantagens dos bons tempos: As crianças tinham liberdade pra sair, andar, divertir-se sem a menor preocupação por parte dos pais – pelo menos em relação à que se é necessária hoje, era quase nula – e poder explorar todas as possibilidades de um mundo novo aos olhos.
Seguimos estrada acima, e logo avistamos o local. Entramos pela cerca de arame farpado, uns ajudando aos outros a não machucarem-se. Curioso que era, voltei um pouco e procurei ler a placa do local. Não entendi, mas presumi que era sítio que tinha ali escrito. Lembro ainda de um detalhe no mínimo engraçado: Não sabia ler direito, e não possuía conhecimento dos dígrafos, por isso continuei chamando o “Rancho” de sítio por muito tempo. Por ter me afastado do grupo, notei que havia uma das crianças que estava a nos acompanhar sorrateiramente, sem estar junto do grupo. Era ele. E agora? Será que eu falo? Será que eu corro? Grito? E o dono do sítio? Calei. E segui ao grupo e ao garoto estranho, esquivando para que não percebesse minha presença.
Quando nos demos conta, estávamos diante do maior santuário da vida animal que já havia visto - e, diga-se de passagem, na TV – e este era certamente a experiência mais incrível que já vivera até aquele instante. Quando me dei conta, o garoto estava bem atrás de mim. Que susto! E agora? Olhamo-nos por algum tempo, e inclinei levemente minha cabeça para a esquerda, como que procurasse traduzir o que aqueles olhos escuros e bem arredondados tentavam me traduzir.
- Oi! Porque ‘cê não se mistura?
- Não sei – retrucou o guri.
- Mas a gente é legal. ‘Cê quer que eu leve você até lá?
Não obtive resposta nenhuma. Mas o olhar dele era incrivelmente expressivo, e traduzia seu sentimento de forma instantânea. E notei que estava ansioso para entrar no meio da turma.
- Qual seu nome?
- Jailson.
- Vem, vou te apresentar ali pra galera.
Não foi uma recepção calorosa, pois ele não respondia a nenhum estímulo externo. Era frio como uma lápide para quem não está acostumado a olhar nos olhos, mas ao fazê-lo, sentia-se como seu fosse o olhar mais puro que já caíra sobre alguém, como um anjo a analisar todos os teus passos. E acho que a maioria na realidade nem deu a mínima pro Jailson. Então entramos rancho adentro e vislumbramos tantos animais quanto meus pequenos dedos podiam contar. O grupo seguiu unido, e saiu unido do passeio mais encantador que a minha infância viveu. Voltamos lá outras vezes, e o grupo começou a identificar-se com a mata, com a fauna. E cada um de nós adotou um estilo animal de ser. Não lembro bem quem era o quê, mas sei que Jailson escolheu o estilo macaco. Só saberia o porquê depois.
Certo dia aconteceu um incidente. Por mais incrível que pareça, não me lembro do que engatilhou tal acontecimento, por mais relevante que seja, e por mais que me esforce. Só o que lembro é que vi Jailson correr em direção à estrada e sumir meio ao mato. Eu não me contive e corri atrás. Procurei por ele, mas sem sucesso. Daí, lembrei de como ele gostava de observar os macacos. E foi exatamente onde fui procurá-lo. Chegando à pedra dos macacos, como a chamávamos, pois era lá que os macacos sempre estavam, fiquei observando o comportamento dos macacos e acabei saindo um pouco de mim. Acho que me coloquei ali, na posição daquele macaco que estava de costas para outro, enquanto este lhes coçava e catava as costas, e me senti num colo, com um afeto incrível. “Como os macacos são companheiros uns dos outros”, pensei. E logo em seguida atinei que deveria estar a procurar por meu colega. Ouvi passos fortes no meio do mato. Algo estava acontecendo. Corri por entre as árvores, e vi um macaco enlouquecido pulando de galho em galho, e muitos outros pulavam atrás como que caçassem uma presa em fuga. Resolvi ficar ali escondido e não me submeter à fúria dos primatas nervosos.
Quando senti que estava seguro, saí. Corri de volta pra vila. Ainda não sei, não sou de assustar fácil, então, não sei o que estava sentindo àquele momento. Mas sabia pra onde deveria ir. Segui na rua principal por algumas casas rua abaixo e na terceira entrada eu caminhei mais um pouco e avistei a casa do bendito do Jailson. As casas da vila não tinham muros, eram apenas casas soltas em meio ao terreno. E notei que estava acontecendo algo na parte de trás da casa do dito. Andei furtivamente e pude avistar o meu colega enterrando algo que parecia um ovo gigante, isso mesmo, um ovo, e com um filhote de macaco no colo. Apenas observei a cena. Jailson me viu claro, mas o que estava a fazer era algo importante demais e as explicações poderiam esperar. Terminado o feito, apenas continuei a olhar não como quem pedia uma explicação, mas como alguém que gostaria de tê-la.
- Os macacos são os únicos que são bons amigos, e eu quero um – sussurrou o garoto – ‘cê entende?
- Não acho, mas se ‘cê acha... – respondi.
- Ei, “num” conta pra ninguém tá? – Confidenciou.
- Mas pra quê enterrar o ovo?
- Roubei do ninho dos macacos, caso eles me levem esse, eu tenho o ovo.
Até onde eu sabia macaco não punha ovo, mas... Fiz que não ouvi. E desse dia em diante, eu mantive certo contato com Jailson, que por sua vez, isolou-se de todos. O macaco cresceu, e a mãe de meu colega, com medo de que o dono do tal rancho aparecesse pra tomar satisfações, acobertou o macaco em casa, e não recebeu mais visitas desde então. O guri viveu quase todo o tempo com seu macaco. A rua comentava a ausência da criança na rua, mas a mãe justificava para as vizinhas que o filho era reservado e não gostava de companhia, o que entrava em contradição diante do fato de que eu o visitava quase que diariamente. O macaco era muito doce, e adotou o menino como seu companheiro em tempo integral. Nada faziam longe um do outro. Eram unha e carne. Amigos de verdade. O garoto demonstrava satisfação total com seu animal, e seus sentimentos já não precisavam da estreita porta do olhar, agora jorravam pelos graciosos sorrisos que constantemente apresentava em sua jovem face pubescendo.
Lembro-me de uma manhã em que cheguei do colégio e fui visitá-lo. Acho que me divertia ao ver o quão felizes eram os dois, tão suficientes um ao outro. Estar diante deles era como vivenciar uma daquelas cenas de filme de cinema, onde a coisa toda acontece em câmera lenta, com uma luz dourada iluminando aos rostos rosados e gotículas de água que dão brilho total a imagem. Ao entrar na casa, os dois estavam sentados no sofá da pequena sala, diante de uma TV e felizes com o acontecido. Pela primeira vez em anos, Jailson me olhou nos olhos e sugeriu “senta aqui com a gente pra ver o desenho”. Todo esse tempo eu fazia o papel de ouvinte, pois meu bom colega usava todo o tempo em que passávamos juntos para expor o que pensava, e geralmente eu pronunciava algumas poucas palavras, e trocávamos apenas os cumprimentos normais, e ele nunca me olhava nos olhos. Nessa manhã, senti como se finalmente tivesse entrado no âmago dele, finalmente podendo auto-proclamar a mim como amigo de Jailson. Aceitei o convite e me diverti. Depois do desenho, conversamos um pouco, e ele perguntou de algumas pessoas com quem até mesmo eu não falava há um tempo. “Boa memória” – pensei. Inteligente ele era. A mãe comprava os livros para que ele estudasse em casa, e eu trazia as minhas provas do colégio copiadas em meu caderno para que ela própria aplicasse a ele. E ele sempre tirava notas altíssimas. Isso me dava certa inveja, mas nada que uma criança não deva sentir e aprender como controlar antes de ser contaminada pela malícia da vida adulta.
Alguns anos passaram-se. Estou eu então com 21 anos. Agora vem a parte esquisita da história. E ousaria dizer que foi a mais emocionante que vivi. E é a essa parte que remeti no início da história, quando o conheci de verdade. Numa manhã de sábado, acordei um pouco mais tarde. Tomei meu café preto, com um pão francês besuntado em margarina, e sempre com o hábito de mergulhar a ponta da fatia de pão no café a cada mordida. Terminado o lanche, arrumei o cabelo e saí para visitar meu amigo, como de praxe das manhãs de sábado. A essa altura, tudo estava diferente. Agora morava na Rua Central. Saí de casa, desci os degraus, caminhei alguns passos até a grade, abri o cadeado e finalmente saí da minha jaula particular chamada por outros de “casa”. Caminhei rua abaixo, passando pela quitanda, padaria, açougue e dobrando na Rua 4 à esquerda. Segui adiante até o final da rua, até a casa do muro verde, número 427. Chamei a mãe de meu amigo. Ela me abriu o portão. Passei direto em princípio, mas ao chegar à porta notei que algo estranho acontecera. Olhei em seus olhos e ela estava visivelmente abalada. “O que terá acontecido? Acho que vou perguntar ao Jailson e deixar a mãe dele em paz”, pensei. Caminhei sozinho pela casa até o quintal. E lá estava meu amigo, finalizando um ritual fúnebre no mesmo local onde enterrara o tal ovo.
- O que aconteceu? – Perguntei.
- Não sei, mas não entendo e não vou entender. – retrucou.
- Sinto muito, queria poder fazer algo. Vamos dar uma volta, respirar? Que acha?
E mais uma vez, ele nada respondeu. Apenas me olhou daquele jeito que outrora fizera. Eu não conseguia reagir instantaneamente diante daqueles olhos. Eles me travavam de um jeito como se eu fosse incapaz de viver tão intensamente quanto aqueles olhos me pediam para fazer. Então, o acolhi e levei para conhecer um pouco da nova vila.
As pessoas se indagavam: Quem é? Será? Depois de tantos anos? Como pode? Achei que era atrofiado e andava em cadeira de rodas...
Levei-o até o Rancho Alto do Bom Pastor, e pedi que o guia nos mostrasse o habitat dos macacos. Ao chegar lá, apontei-o o grupo:
- ‘Tá vendo aquela ali? – perguntei.
- Qual? - Ele comentou.
- Aquela. Como ela parece estar se sentindo?
- Bem... eu diria... feliz, contente, sei lá. – retrucou, sem entender o objetivo.
-Exato. Mas ela é a mãe do macaco que você roubou àquele dia. E a vida dela continuou. Como ela conseguiu? Ela seguiu em frente com seus amigos. Acho que você também conseguirá fazer o mesmo. Que tal?
Ele novamente me olhou daquele jeito. Tentei desviar o olhar e o convidei a passear pelo rancho. Caminhamos, comemos, descansamos à sombra das árvores, e resolvemos voltar pra casa. A caminho de casa passamos pelo boteco do Seu Joãozim, paramos, e então resolvi oferecê-lo uma cerveja. Ele olhou minuciosamente o copo com o líquido, quase como se fosse dizer todas as propriedades da bebida em seguida.
- Seu Joãozim, esse aqui é o filho da...
- Não acredito! Ainda ‘tá vivo menino! – atropelou de supetão o final de minha frase – Quando resolveu sair? Tome mais uma, e essa é por conta da casa!
A conversa prosseguiu animada, e Jailson acabou embebedando-se. Animado que só ele, respondia a tudo com a maior naturalidade. Sentia uma pureza absurda vindo daquele jovem. Como pode alguém parecer tão imaculado diante das indagações mais fúteis e imorais que eu já vi? A cidade inteira estava comentando que estávamos a tomar todas no boteco. Então, não demorou e estávamos muito acompanhados. Muito mesmo. Todos pareciam felizes com o retorno do moço à vida social. Até que veio a pergunta:
- Mas porque ‘cê tava com a cara tão triste quando passou na Central?
Silenciou.
- Pode falar cara, estamos entre amigos.
E o pobre Jailson, na sua inocência, respondeu quase que de imediata reação à palavra “amigos”:
- Ah, é que meu amigo macaco morreu.
Silêncio no boteco.
- Como assim? – replicou Seu Joãozim.
E então ele contou a todos a sua incrível saga com seu amigo macaco. E é óbvio que alguns colegas riram disfarçadamente, enquanto as senhoras juntavam as últimas e faltosas peças do quebra-cabeça e vislumbravam a imagem final. E os senhores comentavam uns com os outros o quão absurdo era aquilo tudo. Senti-me totalmente responsável pela situação. E meu amigo, mesmo sem malícia, notou algo esquisito.
- Tem algo errado? – Perguntou Jailson.
- Se tem algo errado? Não, meu macaco ‘tá em casa, ‘tá fazendo minha janta! – Alguém soltou de longe.
Houve uma euforia generalizada. Todos riam do pobre Jailson e eu me sentia totalmente culpado por isso.
Calma, essa ainda não foi a tal parte inusitada.
Era entardecer e meu amigo saiu correndo em direção à sua casa. Tente alcançá-lo, mas ele tinha um preparo físico incrível! Procurei-o por todos os lugares, mas não o encontrei. Ficava olhando pra todos os lugares, e não via ninguém em parte alguma. A cidade parecia deserta. Foi aí que me dei conta que era dia 23 de novembro, dia em que a vila foi fundada, e todos tinham o hábito de juntarem-se no boteco do Joãozim e queimar fogos de artifício para comemorar.
Pude observar que haviam muitas caixas idênticas jogadas sobre o telhado das casas, ligadas por um fio, meio que formando um sistema unificado, algo que comunicava todos os lares uns aos outros. Parei. Fui analisar de perto. Havia uma quantidade exorbitante de óleo espalhado pela cidade, um óleo preto e de odor muito forte, salpicado por todas as casas, pingando dos fios que ligavam as estranhas caixas. Meio que como um soco vem à face, senti um susto imenso quando me dei conta do que estava acontecendo. Corri de volta para o boteco, tentando chegar a tempo de pedir ajuda.
Ao chegar lá, eis que me deparei com Jailson, com uma parafernália atrelada ao seu corpo, gritando com todos:
- Nenhum de vocês é meu amigo, por isso vocês queimarão!
Todos gritavam enlouquecidos: “Bomba! Ele tem uma bomba!”, enquanto meu amigo os sitiava dentro do boteco.
- Pára “cum” isso cara! O que é isso?
- Ninguém é meu amigo, ninguém é! – ele gritava chorando copiosamente.
- Eu sou. – Respondi.
- Então pega fogo comigo. – ele propôs.
Então me veio à memória um momento muito difícil que vivera. Certa noite, quando eu tinha catorze anos, um grupo de jovens passou pela estrada e adentrou na nossa Rua Central. Estávamos eu, a Mãe e o Pai na calçada, sentados a conversar. Quando nos demos conta, os caras desceram do carro e tentaram nos assaltar. Foi uma luta severa, pois o Pai não era de levar desaforos, ainda mais com a sua família. Pra nosso azar, um deles estava armado e atirou no Pai à queima roupa. A Mãe então me agarrou e correu pelo beco lateral rumo ao quintal. Ela abaixou, e numa fração de tempo muito pequena, disse: “A mamãe te ama, corre e não pára mais”, e me lançou muro acima. Caí do outro lado. Não sentia dor. Meu pulso estava torcido, mas eu só pensava em obedecer ao pedido de minha mãe. Não sei, talvez por instinto. Corri e ouvi gritos do tipo “ela vai te entregar cara, ‘tá esperando o quê?”, e depois alguns disparos. Alguns dias depois voltei para a vila e uma vizinha me manteve sob cuidados até os 16, quando comecei a trabalhar e morar sozinho na casa que foi de meus pais.
Uma mãe demonstra a coragem, o amor, e toda a importância desses sentimentos nesse tipo de situação. E foi por essa postura, por pensar no que seria mais importante, que respondi:
- Aceito. Vamos, quero pegar fogo com você.
E então, ele me puxou pelo braço e corremos estrada afora.
A última coisa que me lembro é de que alguns quilômetros após corremos pela estrada, eu pude observar uma luz imensa, e uma queima de fogos nunca vista pela cidade. No outro dia, depois de caminharmos muitas horas, paramos perto de uma casa, onde um leiteiro entregava sua encomenda a uma senhora. Esta, perguntou:
- E aquela luz?
- Dona, parece que toda a Vila ____ pegou fogo. Ouvi um rumor de que um rapaz revoltado por ser humilhado por toda a vila ateou fogo a um monte de fogos de artifício e queimou todas as casas com óleo...
- Credo! E as pessoas?
- Se salvaram, não tinha ninguém em suas casas, todos estavam fora comemorando o aniversário da vila.
- Menos mal.
Epílogo
Hoje eu faço trinta e cinco anos. Quando olho pela janela sobre a pia da cozinha, vejo meus filhos - Maria Clara e André, em homenagem a meus pais – brincando com seu cachorro, ainda lembro-me do austero menino dos olhos doces que se transformou no jovem menino e seu macaco, que passou por uma grande perda, foi ridicularizado, e em seguida destruiu toda uma cidade só com fogo e óleo. Ele me ensinou muito sobre amizade. Hoje, sou gerente de uma agência multinacional, e provavelmente minha casa vai estar bem cheia logo à noite, quando aparecerão todos os amigos, familiares de minha esposa, muitos casais de clientes satisfeitos com o serviço prestado, e o meu chefe, que prometeu “que sem falta aparecerá”, e de longe será notado. Acho que vai chamar mais atenção que eu. Afinal, uma carreira bem sucedida nos negócios, uma agência de relacionamentos com mais de 5 milhões de clientes satisfeitos pelo mundo inteiro e um dos maiores defensores dos direitos animais, com contribuições anuais milionárias às organizações de proteção dos animais, é motivo mais que suficiente pra fazer com que sempre seja o centro das atenções.
Dito, feito. Estávamos todos na sala, uma nostalgia imensa. De repente, uma caixa imensa entra pela porta da frente. “Encomenda para o Sr. José Pereira Santos.”. Abri, correspondendo ao desejo dos pensamentos que ecoavam uníssono em olhares direcionados a mim. Quando abri, era uma escultura de mármore, que mostrava um macaco dependurado em um galho, segurando outro primata pela mão, e olhando fixamente em seus olhos. Claro que eu sabia que era do meu amigo, ele sempre me mandava presentes em meu aniversário, mas nunca aparecia. O ornamento artístico foi prontamente aplaudido, e em seguida, eis que meu chefe entra pela porta principal, de mão com sua esposa e filha pequena.
Ele vem em minha direção. Todos calam. Ele me entrega um cartão. Abro. Leio. Há uma frase emocionante, que me remete toda essa história que estou lhes contando. Choro, e sou amparado por um abraço fraterno ao extremo. Todos olham espantados ao ver um chefe e um funcionário trocarem tais carinhos. “Não sabia que ele era gay”, uma das convidadas comentou. “Nem eu”, retrucou outra.
“Os tempos mudaram, mas nossa infância permanece lá, imaculada. Hoje o mundo é frio, mas nós ainda pegamos fogo.”
Jailson da Silva
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Je! ... jum...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
All work and no play makes Rafael a dull mathematic
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Cospe ou engole? Vou tentar te ajudar...
- espermatozóide (os gametas masculinos);
- líquido prostático (como o próprio nome diz, líquido produzido pela próstata);
- líquido seminal (da vesícula seminal);
Além de:
- ácido ascórbico ou Vitamina C (sua principal função é a hidroxilação do colágeno, a proteína fibrilar que dá resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos, além disso é um poderoso antioxidante);
- ácido cítrico (É usado como conservante natural (antioxidante), dando um sabor ácido e refrescante na preparação de alimentos e de bebidas);
- ácido lático (uma fonte valiosa de energia química que se acumula como resultado do exercício intenso);
- ácido pirúvico (Durante a glicólise - a via metabólica mais primitiva - é transformada uma molécula de NAD+ em NADH. Como a quantidade desta molécula é limitada na célula, esta tem que ser regenerada, o que pode ser feito reduzindo o ácido pirúvico);
contém também:
- frutose (É mais doce que a sacarose, que é o açucar refinado comum);
- potássio (Dietas ricas em potássio podem exercer papel na prevenção e tratamentos da hipertensão arterial reduzindo os efeitos adversos do consumo de sal);
- colesterol (é importante para o metabolismo das vitaminas lipossolúveis, incluindo as vitaminas A, D, E e K. Ele é o principal precursor para a síntese de vitamina D e de vários hormônios esteróides);
- magnésio (Sua carência nos humanos pode causar: agitação, anemia, anorexia, ansiedade, mãos e pés gelados, perturbação da pressão sanguínea (tanto com hipertensão como hipotensão), insônia, irritabilidade, náuseas, fraqueza e tremores musculares, nervosismo, desorientação, alucinações, pedras nos rins e taquicardia);
- zinco (intervém no metabolismo de proteínas e ácidos nucleicos, estimula a atividade de mais de 100 enzimas, colabora no bom funcionamento do sistema imunológico, é necessário para cicatrização dos ferimentos, nas percepções do sabor e olfato e na síntese do DNA),
- vitamina B12 (possui uma função indispensável na formação do sangue e é necessária para uma boa manutenção do sistema nervoso);
- vitamina E (Essencial para o bom funcionamento do tecido muscular, necessária à formação das células sexuais e é vital para o sangue).
Nosso organismo é capaz de nos proteger de possíveis bactérias (veja bem, bactérias, e não vírus) contidas no esperma.
Se esperma engorda? Durante uma ejaculação, em média de 4 centímetros cúbicos de esperma são expelidos, o que equivale a 4 gramas. Esta quantia aproximadamente contém 35 calorias além de gorduras e proteínas. Ejacular na boca engorda menos o parceiro que levar pra lanchar no McDonalds. Sem contar as calorias queimadas no ato sexual..."
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Adaptado do Blog do Becher e uma forcinha da Wikipédia e das teclas Ctrl, C e V do meu teclado!
domingo, 10 de agosto de 2008
Quando os cearenses dominarem o mundo
Tomaremos o poder a partir de uma senha pré-estabelecida, que só um cearense saberá o significado oculto. Aos berros de 'Queima Raparigal!' as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos e palácios, além de todos os jornais e redes de TV do mundo livre. Ninguém desconfiaria que Francisco das Chagas, humilde faxineiro da CNN (futura afiliada da TV Diário), na verdade, é um professor do ITA que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos. Invadiremos e tomaremos o Estado de Pernambuco, vamos dinamitar a nossa refinaria que eles roubaram e vamos construir outra lá no Pecém; também vamos extinguir os times Náutico, Santa Cruz e Sport Recife. Elegeremos um papa cearense, Raimundo I, que canonizará Padre Cícero e determinará que, daí por diante, em todas as igrejas católicas a hóstia seja feita com macaxeira, farinha, rapadura, alternadamente ou os três ingredientes juntos. O vinho será uma cachacinha de primeira misturada com 'Q-SUCO' de uva. Essa simples bula papal fará com que a economia do Ceará dê um salto. O único problema é achar uma mitra que caiba na cabeça chata do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundo I usará uma fronha de travesseiro enquanto se encomenda outra. A literatura de cordel ganhará status de arte maior e Clodoaldo Mastrúcio ganhará o Nobel de Literatura com seu livrinho 'A moça que engravidou do cavalo e a besta da sua mãe'. Nas artes plásticas, as garrafinhas com areia colorida, os quadros de Xico da Silva e as esculturas de Zé Pinto irão ocupar alas e alas do Louvre. Para arranjar espaço, todas aquelas velharias do Turner vão para o museu de Aracati. A Monalisa fica, pois na avaliação de Serotônio Macêdo, novo curador do museu, ela é uma 'cabôca danada de aprumada'.
O novo Secretário Geral da ONU será Seu Lunga, que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões. A ata de doação será concisa e formal. Nas suas palavras: 'Magote de fio d'uma égua, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito e o mar é da mesma cor. Deixem de botar boneco que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza'. A famigerada música cearense tomará o mundo. Numa revanche histórica, as aberturas das novelas globais terão como trilha sonora os seguintes temas:novela das 06h, Belchior, das 07h, Raimundo Fagner, das 08h, Aviões do Forró. Vamos aperfeiçoar o Oscar. Bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada e melhor mocotó. O cruzamento mais famoso do Brasil não mais será 'Ipiranga com Av. São João' e sim Barão do Rio Branco com Liberato Barroso.O jornal do 10 será transmitido para todo o mundo com a seguinte noticia:* O rodeio será substituído pela vaquejada; Coca-cola pela água de côco; Garota de Ipanema por Garota da Barra do Ceará; Praia de Copacabana por Praia do Futuro; Fla x Flu por Ceará e Fortaleza, Real Madrid por Ferroviário; Central Park por Parque do Cocó; As torres gêmeas, que já foram destruídas mesmo, por Palácio do Progresso; As melhores faculdades européias pelo Liceu do Ceará; Demitiremos Gugu Liberato e Faustão e colocaremos em seus lugares João Inácio Jr e Ênio Carlos; Roberto Carlos por Babau do Pandeiro; Funk por Xaxado; Disneylândia por Beach Park; Av. Paulista por Bezerra de Menezes; Canecão por Siará Hall (na Washington Soares é show); Escolas de samba por quadrilhas juninas; Chiclete com banana por Mastruz com Leite. Colocaremos alguns cearenses nas presidências dos principais países como:França: Cid Gomes; Cuba: Inácio Arruda; Argentina: Débora Soft (ela é burra mesmo e eu quero mais é que a Argentina se exploda). A primeira ministra da Inglaterra será Patrícia Gomes. A capital do Brasil será Fortaleza. A capital do mundo ainda será Nova York, mas a gente vai rebatizá-la de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme estátua da Índia de Iracema. Yeah!
Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo Brasil e pelo mundo todo. Só nos resta esperar, de preferência no fundo de uma rede, enquanto as engrenagens giram por si. Adeus e até a vitória! Como sou modesto, quero para mim apenas um título de nobreza e umas terras anexas, de preferência o município de Aquiraz que é vizinho da capital e tem belas praias. Saudações cearenses!!! E que nosso Padim Pade Ciço teja com todos nós!!!!!
(Autor desconhecido, mas parece que é cearense, Cabra da Peste)
sábado, 2 de agosto de 2008
Pensamento do dia 02/08/08
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Voyage
Ver cada estrela batendo no meu rosto
Com suas caudas flamejantes
Enfrentar a gravidade zero
E, de repente, sentir-me despressurizado
Esmagado, queimado pela alta temperatura
Num passe de mágica, eu estava vivo
E curtia a viagem numa boa
Como se o Universo tivesse dito sim à meu apelo
Agora tenho carta branca pra viajar na Via Láctea
E posso ter todas as minhas certezas:
Que as nuvens são feitas de algodão
E que o colosso que jorrou do seio de Hera
Foi o que tornou nossa galáxia visível nas noites limpas...
E que as estrelas são lindas e grudadas na abóbada celestial
E que o horizonte é um abismo onde o Sol dorme
E onde a Lua se esconde quando a chamam de Nova.
E nesse mesmo céu, antes grande, agora tão pequeno,
Onde quer que eu olhe, eu vejo o teu olhar,
A me fitar, e isso me dói, porque não consigo te achar
Em lugar nenhum, onde quer que eu vá.
Eu quero te achar, e minha maior frustração de viver
É viver sob o teu olhar e saber que talvez eu nunca te veja
Nunca como eu queria ver.
domingo, 13 de julho de 2008
Abrindo minha cabeça sobre o chão da sala
E essa será a mais justa das batalhas que já travei
Pois tudo que vai acontecer, já está previsto que em meu fim
Só se difere de mim mesmo no quesito "quem eu era e quem eu sou"
Eu nunca termino com finais felizes, mas nunca termino derrotado
O poder de decidir o cargo que ocupo é meu o tempo todo
E sou justo comigo mesmo e mando sempre em mim mesmo
E nunca me deixo ser mandado, nem por "mim-self"
Quero apagar as minhas marcar, as minhas memórias
Destruir toda prova de que já estive por essas estradas
Não me importar com a mais sublime coisa que voar diante de mim
Acabar com todo o sofrimento dos diversos eu's adormecidos, em coma
Retirar a menor esperança de que ainda há a sorte, no tentar
Abrir uma enorme fenda na minha cabeça e, com um fórceps
Arrancar cada um de mim. Um por um. Até que não restem nenhum deles.
Agora, que está tudo caoticamente espalhado pelo chão rúbio
Posso começar a escolher o que de melhor há nessas peças
E começar a montar uma nova traquitana pensante móvel
E ainda podendo pegar as raridades do ambiente,
Quem sabe aquela raiz exposta na calçada do passeio
Ou aquela criança chorona que passeia na rua todas as tardes
E o caminhão de coleta que passa às 22:30h, e sempre me acorda
E também um ladrão, uma prostituta, a minha tia chata,
E ainda uma velha fofoqueira da vizinhança
Talvez assim eu possa deitar em meu travesseiro arranjado
E acordar pensando em fazer alguém me amar
domingo, 6 de julho de 2008
Beco Vazio
Pra onde você fugiu àquela noite
Você foi porque era escuro
Era sozinho e insano
Mas na real, era pelo silêncio
Pois era possível ouvir o próprio grito
Saindo de dentro do coração
E quebrando todas as paredes,
Mesmo deixando o concreto intacto
Levava a tua mensagem até ele
E é por isso que me odeio
Pois estou ainda sentado à janela
Esperando meu pombo-correio
Esperando a minha vingança
Contra o meu homônimo maldito
Aquele que afasta de mim a esperança de ti.
Percorrendo as ruas completamente escuras
Suas luzes não te iluminam mais
Suas cores não te encantam mais
E suas pessoas não o interessam, mas
Como seus olhos nunca foram delas
A diferença não é tamanha
O que fica evidente agora
É que aumentou a sensibilidade
Pra notar o teu redor.
Mas precisa crescer mais.
E ninguém pode apaziguar
Eu queria poder te acalmar
Te mostrar que quando o rio corre
Ele segue sonhando encontrar o mar
E não importa o que aconteça
Um dia ele encontra a imensidão
E o que era doce, temperou
O que era rio, mareou
O que era inteiro, se quebrou
O que era início, terminou
O que era tela, então pintou
O que era vazio, ocupou
O que era medo, acalmou
E o que era paixão, enfim, amorizou.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Aos meus amigos (Autor Desconhecido)
Entre soluços e lamentos, a voz do outro lado da linha me informava que o meu melhor amigo, meu companheiro de jornada, meu ombro camarada, havia sofrido um grave acidente, vindo a falecer quase que instantaneamente.
Lembro de ter desligado o telefone e caminhado a passos lentos para meu quarto, meu refúgio particular. As imagens de minha juventude vieram quase que instantaneamente à mente. A faculdade, as bebedeiras, as conversas em bares até altas horas da noite, os amores não correspondidos, as confidências ao pé do ouvido, as colas, a cumplicidade, os sorrisos.
AH!... Os sorrisos.
Como eram fáceis de surgir naquela época. Lembrei da formatura, de um novo horizonte surgindo... das lágrimas e despedidas, e principalmente das promessas de novos encontros. Lembro perfeitamente de cada feição do melhor amigo que já tive em toda a vida: Em seus olhos a promessa de que eu nunca seria esquecido.
E realmente, nunca fui.
Perdi a conta das vezes em que ele carinhosamente me ligava quando eu estava no fundo do poço, e eu nunca respondi os e-mails que ele constantemente me enviava, enchendo minha caixa postal eletrônica de esperanças e promessas de um futuro melhor. Lembro que foi o seu rosto preocupado que vi quando acordei de minha cirurgia para retirada do apêndice. Lembro que foi em seu ombro que chorei a perda de meu amado pai. Foi em seu ouvido que derramei as lamentações do noivado desfeito.
Apesar do esforço para vasculhar minha mente, não consegui me lembrar de uma só vez em que tenha pegado o telefone para ligar e dizer a ele o quanto era importante para eu contar com a sua amizade. Afinal, eu era um homem muito ocupado. Eu não tinha tempo. Não lembro de uma só vez em que me preocupei de procurar um texto edificante e enviar para ele, ou qualquer outro amigo, com o intuito de tornar o seu dia melhor. Eu não tinha tempo. Não lembro de ter tido um único dia em que eu estivesse disposto a ouvir os seus problemas. Eu não tinha tempo.
Acho que eu nunca sequer imaginei que ele tinha problemas.
Não me dignei a reparar que constantemente meu amigo passava da conta na bebida. Achava divertido o seu jeito bêbado de ser. Afinal, bêbado ou não ele era uma ótima companhia para mim.
Só agora vejo com clareza o meu egoísmo.
Se eu tivesse saído de meu pedestal egocêntrico e prestado um pouco de atenção e despendido de um pouquinho do meu sagrado tempo, meu grande amigo não teria bebido até não aguentar mais e não teria jogado sua vida fora ao perder o controle de um carro que com certeza, não tinha a mínima condição de dirigir. Talvez ele, que sempre inundou o meu mundo com sua iluminada presença, estivesse se sentindo sozinho. Até mesmo as mensagens engraçadas que ele constantemente deixava em minha secretária eletrônica, poderiam ser eu jeito de pedir ajuda. Aquelas mesmas mensagens que simplesmente apaguei da secretária eletrônica, jamais se apagarão da minha consciência.
Estas indagações que inundam agora o meu ser nunca mais terão resposta.
A minha falta de tempo me impediu de respondê-las.
Agora lentamente escolho uma roupa preta, digna do meu estado de espírito e pego o telefone. Aviso o meu chefe de que não irei trabalhar hoje e quem sabe nem amanha, nem depois, pois irei tirar o dia para homenagear com meu pranto a uma das pessoas que mais amei nesta vida.
...
Ao desligar o telefone, com surpresa eu vejo, entre lágrimas e remorsos, de que para isto, para acompanhar durante um dia inteiro o seu corpo sem vida... EU TIVE TEMPO! Descobri que se você não toma as rédeas da tua vida, o tempo te engole e te escraviza. Trabalho com o mesmo afinco de sempre, mas somente sou "o profissional" durante o expediente normal. Fora dele, sou um ser humano. Nunca mais uma mensagem da minha secretária eletrônica ficou sem pelo menos um "oi" de retorno. Procuro constantemente encher a caixa eletrônica dos meus amigos com mensagens de amizade e de dias melhores, e dizer às pessoas como elas são importantes para mim. Abraço constantemente meus irmãos e minha família, pois os laços que nos unem são eternos. Esses momentos costumam desaparecer com o tempo, e todo o cuidado é pouco. Distribuo sorrisos e abraços a todos que me rodeiam, afinal, para que guardá-los? Enfim... Deixo sempre alguém feliz... hoje e sempre!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Uôrdis
People, Hi!, Hi!, Hi!, Hello, Bedroom, baggage, Bed, Kiss, More, more, more...
Hands, skin, Eyes, Clothes, Careless, Kisses, Arms, Mind...
Colors, flowers, rivers, Mountains, (FUCK).
End, Kisses, Promises, Passion, Love, Taxi, Bus, Airport, Airplane, Airport, Bus, taxi, HOME.
Awake.
Distante
Sonhar faz bem, e quero realizar todos os meus sonhos.
Utópicos ou não, faço meus os seus e queria que fizesses teus os meus.
Quero te abraçar como nunca ninguém foi antes,
Provar o sabor cruel da saudade nos teus lábios,
Tirar na tua carne a angústia da minha pele,
E desfrutar os mais bacanais prazeres nas tuas mãos.
Sabendo que talvez a primeira e última das minhas maravilhosas noites
Terminaria com um acordar assustado com gosto de quero mais.
Meus segredos estão expostos a ti, e minha sede se traduz no meu olhar.
Se te quero como antes, não me importa mais,
Pois sempre te quis, e quererei até que eu me acorde novamente.
E talvez eu nunca te alcance, pois está duplamente distante de mim.
És a minha impossibilidade. Mas ainda me reserva o destino três dádivas:
A Esperança; O poder de sonhar; E a incerteza dos caminhos da vida.
E distância nenhuma é capaz de destruir esses dons.
domingo, 15 de junho de 2008
À Espera da Esperança, no fim.
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Meu Caro,
Venho pelas curtas linhas que me foram dispensadas tentar costurar os retalhos dessa pavorosa situação. Realmente tenho de confessar que o prazer de ter toda a alegria que o dinheiro possa proporcionar é uma tentação para qualquer mulher. Mas os motivos que me afastaram de vós foram maiores que isso.
A tua beleza não reside só no poder de tuas palavras, mas a forma como elas eram cuidadosamente pronunciadas - e até algumas vezes sussurradas baixinho ao ouvido - são a maior parte do charme! Teus encantos são muito maiores do que as tuas poesias, meras palavras mesmo que cheias de poder. Não sou movida a letras, mas sim, a carícias. Estive estes anos todos ao seu lado pela forma como me fazias sentir amada, querida. Mas a tua vida se resumia a olhar-me, inspirar-se e procurar agradecer-me pela inspiração prestada. Mas eu sou uma mulher, e sou mais que uma musa, sou mais que uma inspiração. Sou uma rosa, tão sensível quanto, tão colorida quanto. E tão viva quanto. E não pude sentir-me viva enquanto não notavas que eu tinha espinhos, que eu murchava à falta de cuidados. E que poéticas e aquarelas já não me satisfaziam a alma e o ego.
Dei minha cartada final, o maior golpe que qualquer descendente de Eva pode repassar: A tentação. Foi com ela que te proporcionei o que ousas categorizar como "a melhor noite de sua vida". E assim o fiz. Quando do amanhecer, saí com a certeza de que não mais o veria, e de que não mais viveria essa amor tão sublime da forma mais justa que possa haver no mundo. Te deixei meu lenço branco, que me foi dado pela sua pessoa na ocasião de meu aniversário último. Nele estavam gravadas as seguintes palavras: "Eis me aqui, pronto para suas lágrimas, mesmo nunca desejando vê-las.". Beijei-o. Resolvi que essa seria a minha melhor lembrança a você, pois estaria embebida de poesia e de sentimento, e que renderia muito mais olhares indiretos que diretos. E sabia que não terias olhares para outra forma de vida. E sabia que esse amor cegaria-te por toda a eternidade. Sabia também que meu lenço seria idolatrado totalmente inerte. E seria guardado, sempre soube, intacto.
Estive em muitos lugares mundo afora, e conheci novos horizontes. A única coisa que não morreu dentro de mim foi a esperança. E foi ela que me fez chegar até tuas linhas, por acaso. E mesmo que nessa ocasião, mesmo vendo que não estás mais aqui para aliviar-me a dor, eu resolvi que seria justo responder-te, dá-te a oportunidade de ouvir a minha. Minhas fracas pernas já não agüentam meu peso, e minhas trêmulas mãos já cansam com algumas poucas linhas, mas esforço nenhum me trará de volta a esta mesma sala alguns anos no passado. Se me arrendo? Não. Pois a minha convicção - de que aquela seria nossa última noite - ter sido totalmente concretizada me dá a força pra seguir adiante nos meus dias, ainda que quase escassos. Força essa que me trouxe até aqui hoje a arrumar suas gavetas, agora abandonadas.
Te desejo uma boa viagem, e que me esperes, pois agora já sabes de tudo, e quaisquer dúvidas perguntas ao Onipotente, que agora está ao teu alcance.
Clara Cavalcantti
PS: Hoje vim pôr fim ao seu sofrimento, assim como à minha espera. Sabes aquela casa do outro lado da rua, que sempre esteve abandonada? Por todos esses anos vivi bem ali, esperando que você abrisse o lenço que te dei. Nele estava escrito: "Sob o vaso na janela está a chave da minha casa, que é logo ai na esquina. Te espero."
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Ontonte ôvi uma proza tristi
I num paricia ton diferenti du qui eu cunhicia
Inté qui oiei cunz óio maiz bein abrido
Era uma diferensa mei iskisita di sintí
Uma coisa qui os zóio mei qui num via
Mas a ialma si muía di tom que era o duído
Oiei na rua i num via ninguein nos bar
As pessoa num si senta a prozêiá nas calssada
Us mininu num brinca di corrê inté cansá
Vívi presu dentu duma casa injaulada
Nun sei cumé ki êlis si aguenta
Essa falta du qui fazê o dia todu
Di casa pra iscola, êlis só sai e entra
Só vendo sempre akeli mêrmo pôvu
Essa minha roça era diferenti dimaiz
Aquilu sim é que é uma vida boa!
Nóiz corre, nóiz brinca, di tudo nóiz faiz
Trabaiandu , nóiz nunca tamo a toa
Si'acordemo cedo pra dismamá as vaca
Juntá us óvu i prepará a bóia
Í pro rossadu, cá inxada e cás faca
Pra coiê o qui prantô, i dá pra patrôa
Um vixtido di xita bein bunitim
Pra ela si sinti a dona du pedáçu
I cuidá dos minino tudu cum carím
Prum mode dá pra eu um abrássu
I um xêro no cangote do neguim
Nus dumingu tomá aqueli banhu maiz caprixadu
Botá aquela colonha importada da fransa
A rôpa maiz arrumada, cum xêro de guardadu
A butina qui ingraxei pru dia de danssa
Si ajuntá na quermesse adispois da missa du santu
Pra nóiz vê u muvimentu du queim-vem, du queim-vai
Oiá as muié bunita dando sopa num cantu
I us fógos di artifíssu nu séu, que si paressi cum az istrela qui cai
Indu lá prás banda pertu du má
Um dia nóiz si mudemu da cidadi
Mutivu da fía qui ia istudá
Numa tár di faculidadi
Essa minina, qui já era era muié,
Tava grandi, trabaiadêra danada,
Mau si via ela pra tumá café
Só si via lá pra meia noiti, deitada
Muída di cansassu du mundu
Cansada di tambein ficá só
Chamô nóiz pra vivê na cidade
Cunz ói xei dágua que dava dó
A vida era muintu difícir
Nóiz nun sabia fazê nada pur lá
Trabaiu nin um sirvia pra nóiz
Di fazê nada a genti ia um dia cansá
Maiz o amô era maió
I a fía tava contenti
Ficava toda geitoza
Ria que via os denti!
Unz anu si passô i a muié ficô duenti
Um tár di cânci qui ela pegô
Durô pôcu, sofreu muinto
Nin um ospitár salvô minha frô
Um vazíu nu peitu qui dói a alma toda
Num quiria maiz sabê dessa cidadi assassina
Levô minha frôzinha bela inda ton mossa
Me dexô sozim cás minha minina
Nun guentei di vontadi
Di í era minbora dalí
'Rumei tudo minhas mala
Vi u ônbus, i subi
Nun sisquecí da maudadi
Nein da dô qui sinti
Do amô qui se foi
I di tudo qui eu vi
Vortei pra páiz du meu lá
Pá minha caza ton quirida
Maiz quaiz nun ricuincí
A rua qui viví quaiz toda vida
Hoji vivo du mermo geito da cidadi grandi
Meu Deuz, mau nin um pra ninguein eu péssu
Puêra, Lixu, Violenssa, Mórti, e as Duenssa,
Prifiria tê vivido sin ter vistu essi tár de pógressu!
quarta-feira, 11 de junho de 2008
O que fiz pra te roubar pra mim (or Happy Birthday, my inspiration!)
Cara de moleque
Faz o dia mais feliz
Cada vez que olha pra mim
Nunca tá de bem
Nunca tá de mal
Tá sempre vivendo,
Sentindo cada segundo
Faz aquilo que tem que fazer
Não hesita, não pára pra ver
E é por isso que me encanta
Que me faz sentir O.K.
Além de me inspirar
Cada vez que cruza-me o caminho
Virtual, mais que real
Vivo, cheio de gás
Jovial, mas não tanto mais!
Hoje é o dia, e cada dia é só mais um
A continuação de ontem e
A primeira parte de amanhã
Todo dia é seu dia
Basta que você apareça e tudo fica "blu"
Te digo sempre "tchau" com sabor de "té logo"
Porque a tua presença me entra
Me invade por mais que sete buracos
Pois não tá só na minha cabeça
Tá no meu coração!
Roubarei você um dia
E nunca mais vou te devolver
Não poderei dar garantia
A não ser que você
Não queira comigo fugir
Comigo largar tudo e sair
Ainda que seja por pouco tempo
Rápido e direto, sem demora
Vou te levar, mas posso te trazer
Aqui e ai, sempre que quiser é só perceber
Ler atentamente o que tô a te dizer
Hoje é dia especial e você ao menos vai querer
O acróstico que fiz pra você.
Proibido
Não nos vemos todos os dias
Não nos amamos pra todos verem
Não nos beijamos aos olhos alheios
Não nos abraçamos em público
Não conversamos sobre nós com ninguém
Não pegamos no pé dos outros
Não nos ligamos o tempo todo
Não nos abrimos ao mundo
Não transparecemos o que sentimos
Não dizemos aos nosso pais o que é que há
Não atualizamos nossos documentos
Não assumimos a nossa postura
Não nos exibimos em qualquer lugar
Não nos deixamos levar pelos instintos
Não nos movemos em prol de nós mesmos
Não nos expomos às provas da vida
Não fazemos direito as tarefas de casa
Não paramos de pensar uns nos outros o tempo todo
Estamos em todos os lugares
Jovem, velho, branco, preto,
Alto, baixo, largo, estreito,
Leve, pesado, experiente, novato,
Homem, Mulher, rico, pobre,
Drogado, adúltero, gay, ladrão,
Entre outros marginais sem opção
Opostos ou Unidos
Nada podemos
Pois nada é permitido
Mas não desistimos nunca
É mais gostoso quando é proibido.

